Vir a Ser: O Despertar em Meio ao Mundo – Recursos

 

Muito obrigada por ter participado desse lindo encontro entre a Roshi Joan Halifax e Frank Ostaseski.

Como vários centros de Dharma, o Upaya Zen Center sofreu grandes perdas de recursos durante a pandemia. Os prog
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Obrigada!

Os próximos encontros da Roshi Joan Halifax e Frank Ostaseski serão:

25/abril: SER: na Vida, na Morte, no Luto e no Amor

8/maio: PERTENCER: O Poder da Comunidade

Guarde na sua agenda e aguarde mais informações.

 

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vídeo com tradução em português está aqui:

O relato da Joanna Macy (tradução livre da Jeanne Pilli) extraído do livro “A Wild Love for the World: Joanna Macy and the Work of Our Time” compartilhado pela Roshi Joan Halifax:

“O único caminho até a estação ferroviária mais próxima de Dalhousie era de trem noturno. Sentia, depois de quase dois anos no subcontinente, que era uma wallah indiano experiente e, portanto, sem três filhos para cuidar, reservei uma vaga em um ônibus de terceira classe. A partida de casa correu bem. Menus foram escritos, caronas e atividades após as aulas organizadas e promessas feitas por meu marido, Fran, de voltar direto para casa depois do trabalho no escritório do Peace Corps. Agora era só uma questão de colocar minha mochila, meu saco de dormir e garrafa de água no Pathankot Express antes da partida da estação de Delhi Antiga às 22h00.
A estação de trem era um hospício; metade da população do norte da Índia deve ter ido para aquela plataforma pegar o meu trem. Quando as portas do vagão da terceira classe mais próxima finalmente se abriram, em cada porta tinha dez ou vinte corpos, cada um decidido a embarcar. Aquilo me apertava com tanta força que mal conseguia respirar. Temi que fosse sufocar, mas os empurrões não deixavam nenhuma opção de fuga. Meu braço com a garrafa de água, preso entre os corpos enquanto avançavam, parecia que ía se separar de mim; Eu tinha certeza que seria desmembrado. Quando fui empurrada pela porta, comecei a entrar em pânico. Por sobre os gritos e barulho, ouvi alguém gritando. Era eu. No estreito corredor entre os beliches de madeira de três níveis, comecei a chorar. Então, do redemoinho de corpos abaixo, mãos me empurraram para uma prateleira superior, como jatos de água lançados do mar. Outras mãos levantaram minha bolsa e meu saco de dormir. Fraca, aliviada e encharcada de suor, me encolhi sob o teto.
Exatamente abaixo de mim, uma família grande e tagarela, desembrulhando uma série interminável de recipientes, generosamente me deu bolinhos de arroz, curry e banana derretida. Depois de aceitar um chapati, levantei meus pés e desapareci atrás de um livro. Eu queria bater em retirada tão totalmente quanto possível enquanto as luzes ainda me permitissem ler. Eu queria banir da minha mente aquele vagão fervilhante com sua tagarelice, clamores e cheiros. Um lápis marcava onde estava em um capítulo sobre o budismo em uma coleção de Huston Smith que encontrei no armário de livros do Peace Corps para voluntários. O assunto era a segunda nobre verdade, a causa do sofrimento, como sendo tanha, ou desejo. Grata por conseguir me concentrar, reli um parágrafo que chamou minha atenção: ‘Tanha é uma forma específica de desejo, o desejo de se separar do resto da vida e buscar satisfação por meio daqueles segmentos engarrafados de ser que chamamos de nós mesmos ’, eu li. ‘É a vontade de realização privada, o ego escorrendo como uma ferida secreta …” Para deixar as palavras se aprofundarem em mim, eu levantava meus olhos a cada poucas linhas e deixava meu olhar vagar pelo vagão lotado. “Amarramos nossa fé, amor e fé aos frágeis e burros eus separados, que certamente tropeçarão e se entregarão … Valorizando e mimando nossos egos, nós nos trancamos por dentro.

 

O koan ‘A Bandeja Quebrada‘, que faz parte do livro ‘A Flauta de Ferro’, compartilhado pela Roshi Joan Halifax (tradução livre de Jeanne Pilli):

Era uma vez uma pequena cabana chamada “campo rico”,
onde um monge viveu por trinta anos.
Ele tinha apenas uma bandeja de cerâmica.
Certo dia, um monge, que estudava com ele, quebrou a bandeja acidentalmente.
A cada dia o professor pedia ao aluno que a substituísse.
Cada vez que o discípulo trazia uma nova, o professor a jogava longe
dizendo: “Não é essa. Devolva a minha antiga!”

 

O poema de Jimmy Santiago Baca, recitado pela Roshi Joan Halifax
(tradução livre de Jeanne Pilli

QUEM ME COMPREENDE ALÉM DE MIM

Eles fecham a água, então eu vivo sem água

– Eles constroem paredes mais altas, então eu vivo sem as copas das árvores

– Eles pintam as janelas de preto, então eu vivo sem sol

– Eles trancam minha gaiola, então eu vivo sem ir a lugar nenhum

– Eles fazem cair cada lágrima que eu tenho, eu vivo sem lágrimas

– Eles pegam meu coração e o rasgam, eu vivo sem coração

– Eles tiram minha vida e a esmagam, então eu vivo sem futuro

– Dizem que sou bestial e demoníaco, então não tenho amigos

– Eles interrompem cada esperança, então eu não tenho passagem para sair do inferno

– Eles me dão dor, então eu vivo com a dor

– Eles me dão ódio, então eu vivo com meu ódio

– Eles me transformaram, e eu não sou o mesmo homem

– Eles não me dão banho, então eu vivo com os meus odores

– Eles me separam dos meus irmãos, então eu vivo sem irmãos

– Quem me entende quando digo que isso é lindo?

– Quem me entende quando digo que encontrei outras liberdades?

– Eu não posso voar ou fazer algo aparecer na minha mão

– Não posso fazer os céus se abrirem ou a terra tremer

– Posso viver comigo mesmo, e estou maravilhado comigo mesmo, meu amor, minha beleza

– Estou tomado pelos meus fracassos, pasmo com meus medos

– Sou teimoso e infantil

– Em meio a esses destroços de vida a que fui exposto

– Eu pratico ser eu mesmo, e encontrei partes de mim nunca nem sonhadas por mim mesmo

– Elas foram incitadas à ação sob as rochas do meu coração

– Quando construíram paredes mais altas

– Quando desligaram a água e as janelas foram pintadas de preto

– Eu segui esses sinais como um rastreador antigo e segui as trilhas profundamente dentro de mim

– Segui o caminho manchado de sangue

– Mais profundamente, em regiões perigosas, e encontrei muitas partes de mim mesmo

– Que me ensinaram que a água não é tudo

– E me deram novos olhos para eu ver através das paredes

– E quando eles falaram, a luz do sol saiu de suas bocas

– E eu estava rindo de mim com eles

– Rimos como crianças e fizemos pactos de sermos sempre leais,

– Quem me entende quando digo que isso é lindo?

 

Para acessar os recursos em inglês:

BECOMING: Awakening in the Midst